Carol ol ol











{04/02/2010}   O cu do namorado

Ela pega a câmera, chama o namorado e o tranca no quarto.

- Deixa?
- Deixa o que?
- Tirar uma foto do seu…
- Meu o que?
- Do seu cu, uai.
- Meu cu? Claro que não! Louca!
- Ah, qual o problema?
- Como assim?
- Você me ama?
- Amo, mas o que o cu tem com isso?
- Nossa, tudo! Isso seria um grande passo no amor.
- O cu?
- Quando eu era pequena, era normal ter cu. Agora é essa frescura.
- Mas pra quê uma foto do meu… do meu cu?
- Pra eu ver como ele é, oras!
- Cu é tudo igual!
- Como você sabe? Fica vendo cus por aí?
- Não, mas a gente sabe que é igual!
- Então quer dizer que pinto e perereca também são todos iguais?
- Sim!
- Eu não acho que os pintos são todos iguais.
- Ah, quantos pintos você já viu pra falar isso?
- Um monte.
- Como assim um monte!?
- Interneeeeeeet, querido!
- Fica procurando pintos na Internet?
- Você também fica vendo filmes pornôs. E nem fico procurando. Só ás vezes e não bato siririca enquanto faço isso, só olho. Você fica batendo punheta quando vê os filmes.
- Normal.
- Cu é normal. Deixaaaa eu tirar uma foto!
- Então você deixa eu tirar do seu?
- Uai, deixo.
- Louca.
- Medroso. Então vem, deixa eu te depilar antes da foto.
- Depilar???
- Acha que eu enxergo alguma coisa com esse tanto de pêlos?
- Mas como assim me depilar?
- Deita com a bunda pra cima que eu te mostro. Com cera é melhor, não vai doer.
- Louca!!! Nunca!!!
- Que medo é esse de mostrar o cu?
- Se quiser ver se cu é tudo igual, vai procurar na Internet!

Ele sai do quarto ofegante. Mas ela sabe:
- Ainda terei argumentos suficientes para conseguir tirar essa foto.



{29/01/2010}   Falando mal

Nervosa ao extremo, hoje falei tudo que me veio à cabeça e ainda havia muito a falar. É que essa história de ir guardando os detalhes neuroticamente não dá certo, um dia a gente explode mesmo.
Detalhista e ansiosa, fiz as palavras saírem da minha boca com raiva, prazer, alívio e satisfação de ter falado tudo aquilo que há tempos eu queria dizer. Sem ofensas, mas é a minha opinião, então falei mesmo. Da mesma maneira que ouço o que não quero, falo o que não querem ouvir. Igual a todos, creio eu. Porque um dia, mais cedo ou mais tarde, a pessoa caladinha dispara a falar, mesmo que isso custe perder pessoas especiais. Problema nosso, que falamos demais. A frase ‘perco o amigo, mas não perco a piada’ não existe por acaso.
Então depois do discurso de 50 minutos sem pausa para respirar direito, me resta uma vontade louca de fazer as coisas erradas, de não fazer nada certinho, de tomar infinitos sorvetes até vomitar e não querer ver sorvete nunca mais. Vontade de vingança!
Saiba que serei sempre a eterna Carol sem paciência para ouvir dramas de pessoas vítimas do universo e serei a Carol que gosta de planejar a vida na ponta do lápis (e existem pessoas muito piores que eu). E saiba que sempre que EU julgar necessário, farei meu discurso de 50 minutos seguidos, goste ou não. E saiba que sempre que EU quiser, eu virei até meu blog para falar mal de quem EU quiser, inclusive de mim mesma.
Falo mal do ex namorado (se é que era namorado) songa-monga que prefere cerveja e vídeo game do que mulher, falo mal da amiga que virou integrante das reuniões vegetais em que se toma chá para limpar a alma, falo mal dos chefes, falo mal do colega te trabalho, falo mal dos professores, falo mal de você que sempre exige de mim, falo mal das minhas celulites, falo mal da Marílha Manoela que também fala mal de mim, falo mal de quem eu quiser, porque quem quiser, pode falar mal de mim, inclusive você. E para isso existem os comentários aqui do blog. Fique à vontade.



{26/01/2010}   Papo de copeira

Seus peitos se misturam com a barriga e sua altura não chega a 1.55. Seus cabelos são pretos, embaraçados, compridos e fogem fios arrebentados da toca que ela tem que usar quando entra na cozinha. Seu rosto é redondinho, sua boca pequena e cheia de dentes cinzas e pretos. Deve fumar. Sempre que dá, se encosta na pia cheia de louças sujas, tira o pé direito do chinelo gasto, o apóia na canela esquerda e toma uma xícara de café “o meu café é o mió que tem”.
“Meu marido tá fazendo feira pra uma vagabunda, nóis tá pra separá”. Conversa mais que uma maritaca. “Tô nem aí, aqui tem muito homem me quereno”. Mastiga o pão com a boca aberta. “Meu cabelo é lindo, eu sou nova, num tô pra ser jogada fora. Tô cheia de pobrema, pra que me preocupá com as vagabunda?” Limpa a manteiga que cai entre os peitos e lambe os dedos. “Depois que meu fi sofreu acidente eu cheguei na cara do meu marido e falei que se ele tivesse morrido num ia nem chegar perto do cachão”. Coça a canela esquerda com o dedão do outro pé, com as unhas cheias de micose. “Agora meu fi juntô com a namorada grávida. Ele arranjou pobrema, porque ela tá com 15 ano e ele com 20. Os casamento hoje em dia num tá durano nada, né não?”
Na hora de lavar a louça, encosta a barriga na pia, se apóia na perna direita enquanto fios arrebentados voam da toca. “Talvez ocê tem sorte. Já vi seu namorado te buscar aqui. Traição é coisa de sorte, talvez cê nasceu de sorte, sem pobrema de marido”. O zíper da bermuda vive aberto e a barriga vive molhada por causa da água da pia. “Eu num saio daqui sem arranjar um outro namorado, tem um aqui doidinho pra me abraçar, meu marido num sabe o que tá perdeno se envolvendo com essas vagabunda”.
Pega a vassoura e varre a sujeira pra fora. “Ontem fui no salão de beleza com os cabelo solto e a cabelerêra me perguntou se eu passei chapinha. Passo nada, é de dá inveja messssss”.
“Ai, menina, eu odeio sujêra, é por isso que insinu meus fi ser tudo hingiêninco”. E finaliza seu dia limpando café do chão com o pano de enxugar louças molhadas. Sem parar de falar.



Eu quis começar apenas com uns dois dedos, ir devagar, para não assustar muito. Ele me perguntou “É dois mesmo?” com aquele tom de voz que insinua uma mãe inteira. Eu já fiz algumas vezes umas loucuras assim, não era minha primeira vez nesse tipo de situação com dedos e mãos, mas fazia tempo que eu não passava por isso e estava com medo de arrepender. Mas eu estava mesmo doida de vontade de toda aquela mão e, se possível, até das duas!
Ele percebeu, é claro, mas ainda assim foi aos poucos, com seus três dedos grandes e grossos.
Eu quis mais. “Mais dedos!” e ele pediu que eu mudasse de posição porque “vai ser radical” e quando eu vi, era a mão inteira.
Bom, quem deixa uma mão inteira deixa duas, né? Ele também achou isso quando me voltou para a posição inicial e perguntou se eu queria a navalha dele também. Óbvio que eu aceitei. Cada navalhada, um prazer enorme.
Foram uns 40 minutos de diversão.
Cortar o cabelo para mim é o que há de melhor. E cortar dez dedos de comprimento em um dia, melhor ainda.



Diz a Marilha Manoela, uma garota imatura e doente da cabeça, que eu costumava ir aos motéis da cidade com dois caras de uma vez. Ela fez questão de espalhar esta notícia para várias pessoas do meu meio de convívio e, como eu fiquei sabendo disso esses dias, resolvi esclarecer este fato. Primeiro eu gostaria de agradecê-la por falar tanto de mim e me divulgar. Adoro aparecer. Segundo, eu gostaria de corrigir um detalhe: Marilha Manoela, não foram 2 (dois) caras, foram 3 (três). Na verdade, acho que uma vez chegou a ser 4 (quatro), sendo um deles meu irmão!

Antes que meu pai, leitor do meu blog, caia da cadeira, saibam que eu, uma adolescente normal, com seus 16 anos, curiosa, fui com uma turma de amigos e amigas conhecer os motéis da cidade e, junto, levei meu pequeno irmão de 12 anos na época. Foi super divertido, tiramos várias fotos e ainda levamos bronca por termos sujado o lençol. Mas não fomos presos e nem houve atos de amor.

Alguns anos depois, já na casa dos 20, eu, à procura de aventuras com amigos e amigas, para sair da rotina fui, mais uma vez, aos motéis da cidade com outra turma de amigos. Apesar de já sermos mais crescidinhos, preferimos tirar fotos dentro da banheira do que juntarmos nossos hormônios e fazermos sexo loucamente. Estranho, né? Mas foi assim mesmo.

Marilha Manoela, cuide-se. Não pense que só porque eu sentei ao lado de seu (ex) namorado dentro de sala, quer dizer que eu o desejava e o tomaria de você. Até porque eu tenho o MEU namorado, certo?
Não pense que só porque eu sou mais gente boa (e vamos ser sinceras, bem mais bonita) que você, isso signifique que eu realmente iria querer pegar o seu (ex) namorado.

Marilha Manoela, viva sua vida. Não precisa espalhar coisas sobre mim desse jeito, não perca seu tempo fazendo isso, porque isso eu mesma faço aqui no blog.

Beijos!



{01/12/2009}   Trouxas apaixonadas

Ah, como é lindo o amor que uma mulher sente por um homem. É um amor sem tamanho, que alcança lugares inalcançáveis, com muitas flores, perfumes e beijinhos.
Mulheres apaixonadas cometem loucuras. Loucuras do tipo “ele me bate, mas ele me ama e isso é o que importa”.
Eu a-do-ro esse tipo de mulher que aceita comportamentos que eu mesma nunca imaginei aceitar.
Durante o namoro, o homem é perfeito. Depois que casa, estraga. Estraga mesmo e quem estraga os homens são essas mulheres submissas que fazem questão de molhar o avental na pia, esquentar a barriga no fogão e abrir as pernas na cama apenas pelo fato de ser mulher e não pelo fato de ser um ser humano capaz de lavar louça, esquentar feijão e dar com prazer como qualquer outro humano de perereca ou pinto normal.
Se o namorado diz ‘não faça’, ela insiste um pouquinho e se cala no momento da surra moral ou física mesmo. E se o marido diz ‘não’, pronto. Ponto final. Sem discussão.
Mulher perfeita é a que manda nesse tipo de cara. Não precisa de ser feminista, mas tem que mandar. Mulheres apaixonadas devem ser apaixonadas em si mesmas, para depois ser apaixonada num idiota machista metido a gostosão.
Mulheres apaixonadas devem ser saudáveis. E eu tenho bons motivos para escrever esse texto para cada trouxa apaixonada que eu conheço.



{25/11/2009}   Conclusão

A minha conclusão de curso foi concluida com direito aos dois melhores prêmios, de três, merecidamente ganhados.
Formar em Publicidade é legal porque você não faz essas monografias sem graça. Formar em Publicidade faz a gente competir para a melhor campanha publicitária de uma empresa real, feita por uma agência experimental.
Faz a gente brigar, criticar o outro, odiar o outro para no final todo mundo se abraçar, porque todo mundo na verdade se gosta.
Mas e agora? Agora acabou.
Agora é sentir o gostinho da vitória ;)



Hoje ela acordou cedinho e logo foi fazer o café para o marido que em dez minutos estaria de pé.

Hoje ela custou a acordar para mais um dia de trabalho.

Hoje ela escolheu uma receita deliciosa para mais um almoço em família.

Hoje ela chegou atrasada e perdeu uma parte da reunião.

Hoje ela acordou o filhinho, deu leite com pão de queijo e o deixou brincar no cantinho dos brinquedos.

Hoje ela recebeu uma pasta com 56 problemas para resolver até de tarde.

Hoje ela começou a preparar o delicioso almoço.

Hoje ela descobriu que para resolver apenas 20 dos 56 problemas não daria para almoçar.

Hoje ela deu um banho gostoso o filhinho e o arrumou para a escolinha.

Hoje ela perdeu o almoço para tentar resolver os problemas e sentiu dor no estômago.

Hoje ela almoçou com o marido e o filhinho e comeu um delicioso pudim de sobremesa.

Hoje ela comprou uma coisinha na padaria da esquina e voltou a finalizar sua pasta de obrigações a serem solucionadas.

Hoje ela limpou o fogão, descansou um pouco e assistiu Vale a Pena Ver de Novo.

Hoje ela teve que ficar no trabalho até mais tarde.

Hoje ela ajudou o filhinho a fazer dever de casa e serviu o jantar.

Hoje ela foi embora bem mais tarde e engoliu uma comida no caminho de casa.

Hoje ela teve que pedir dinheiro para o marido para comprar um avental novo.

Hoje ela recebeu seu próprio dinheiro e comprou pela internet uma bolsa ma-ra-vi-lho-sa.

Amanhã ela vai acordar cedinho para fazer o café e sair para comprar um avental novo.

Amanhã ela vai acordar mais tarde, pois é dia merecido de folga.



Olá a todos os leitores.

Venho através deste texto falar de um assunto um tanto delicado que é a minha sexualidade, a minha verdadeira sexualidade. Sei que muita gente conhecida lê meu blog, meu pai, por exemplo, e amigos, mas resolvi correr este risco e assumir geral o que se passa comigo.

Bom, como sabem, nasci mulher, de perereca e tudo, mas a vida tem vários caminhos e às vezes a gente escolhe alguns caminhos diferentes, assustadores, fora do padrão. A gente descobre que gosta de umas coisas estranhas, que nos foram ensinadas como erradas. Mas a gente gosta e não tem muito o que fazer. Então a gente experimenta pra ver se gosta mesmo, não é? E é aí onde surgem os problemas a serem enfrentados.

Acho que quando eu tinha uns 3 anos de idade eu descobri que gostava de meninos. Sim, gente, tão nova eu já tinha jeito de uma menininha heterossexual, triste, né? Acontece…

Fui crescendo e tinha aquelas primeiras paixõezinhas por garotinhos, logo eu, a filha linda do papai gostando de meninos!

Alguma coisa estava errada, mas não havia nada que mudasse minha opinião. Então comecei a brincar de bonecas, usar vestidos e sapatos da minha mãe. Tudo aconteceu muito rápido e quando vi estava namorando meninos. Eu tinha muitas amigas, a gente usava sandálias de salto, saias e olhava os garotos nas festas.

Chegou um dia, quando eu tinha uns 18 anos que eu não agüentei. Chamei meus pais e falei a verdade, que eu era hétero. Não foi fácil, claro. Meu pai atendeu o celular e minha mãe olhou pra cima. Não entendi, mas vi que eles aceitaram, até porque não tinham outra saída.

Hoje eu enfrento esse conflito com mais tranqüilidade, tenho um namorado homem que também é heterossexual, mas ainda tenho muito medo do que pode acontecer futuramente.

Espero não ter assustado muita gente a respeito da minha sexualidade.

Agradeço a atenção e apoio, porque se ser homossexual é um PROBLEMA, ser hétero também é.



{03/10/2009}   Insônia

Enfim sexta, ou melhor, sábado zero hora e quarenta e sete minutos. Hora de estar em uma festa ou bar com aquela super turma de amigos. Hora de estar namorando muuuuito! Hora de estar fazendo coisas erradas e escondidas.

Ou hora de estar sem sono em frente ao computador. E com fome.

Os últimos dias foram estranhos pra mim. Começou com uma dor para engolir e respirar, depois espumas brancas saindo pela minha boca e em seguida pequenos desmaios. Mas passou, parece que enfim está tudo bem. Virose básica.

Sem sono. Por que logo agora sem sono? Cadê aquele sono pesado? É só ficar sozinha que não tenho sono? Sono eu preciso de você hoje, agora. Ler 55 páginas do livro A Cabana não adiantou, não trouxe sono. Escutar músicas no escuro debaixo do meu cobertor também não adiantou. Quem sabe escrever não resolva minha insônia? Quem sabe meu fiel companheiro de conversas antes de dormir não resolva? Bom, então o jeito é escrever, já que no momento estou sem o ex fiel companheiro (companheiro que é companheiro não abandona).

Fome demais, ainda estou meio ruim do estômago. Vontade de fazer xixi, como sempre. Fui ali na cozinha, peguei um pãozinho de batata, sentei na privada e comi enquanto fazia o xixi e pensei que depois do xixi e do pãozinho conseguiria dormir. Me enganei.

Por que eu não estou em uma festa? Porque estou de TPM e não tenho saco, então lá na festa eu criticaria cada pessoa, sentiria sono e vontade de vir dormir. E provavelmente eu estaria de carona, então teria que ficar dando falsos sorrisos a noite inteira e lutando contra a dor de cabeça causada pelo sono. Finalmente chamaria um táxi e no caminho para minha casa (ou casa dos meus pais?) eu viria conversando com o taxista sobre a vida, sobre relacionamentos como eu costumava fazer nos meus velhos tempos. Com isso, preferi ficar em casa e dormir meu soninho que não aparece.

Que fazer? Já escrevi um monte e nada de sono! Nada na Internet, nada na televisão, nada no meu estômago. Nada de nada. Insônia, apenas insônia. Isso é insônia.



etc.