Archive for setembro \28\UTC 2008|Monthly archive page

Saudade

Eu não sei se acontece com vocês também, mas às vezes a saudade dói no peito!

“Você já sabe, de dentro de você a estrelinha não sai mais, não importa quantas frutas a velha senhora te oferecer.”

A primeira vez

Eu me lembro da primeira vez em que vi um pinto. Eu tinha uns 3 ou 4 anos e me tranquei no banheiro de casa com um amiguinho da minha idade. Lá a gente tirou a roupa e ficou olhando um para o outro naqueles lugares. Não me lembro muito bem o que se passava na minha cabeça, mas lembro de ficar olhando. Acho que a gente pensava na razão de sermos diferentes naqueles lugares. Isso acabou sendo tão freqüente que um dia a mãe dele ligou lá em casa perguntando para minha mãe se a cueca dele não havia ficado lá, pois ele chegou em casa sem ela.

Dez anos depois do primeiro pinto teve o primeiro beijo. Foi no cinema com um menino da outra sala e da mesma idade. Ele “me chamou para ficar” e eu aceitei. Depois de um tempo do meu “sim” ele finalmente percebeu que era ele quem deveria tomar a iniciativa de beijar. Acho que era o primeiro beijo dele também, foi totalmente oco e eu me perguntei durante um bom tempo se beijo de língua era aquela coisa sem língua.

O primeiro amor aconteceu um tempo antes do primeiro beijo. Foi amor à primeira vista mesmo, bati o olho nele e me apaixonei. Guardei segredo por um bom tempo e um dia contei a ele. Ele me ensinou a instalar o ICQ e foi o máximo que aconteceu entre a gente.

Por volta dos 14, 15 anos tive o primeiro namorado. Eu nunca quis assumir o namoro, mas saímos juntos por uns 9 meses. Com 17 anos ele se achava homem o bastante para tirar a minha virgindade. Óbvio que eu não deixei, mulher que dá antes dos 16 anos, na minha opinião, é só para ser a primeira da turma.

Com 16 anos eu tive o primeiro “caso sem futuro”. Ele era do Rio de Janeiro e veio para minha cidade, Ituiutaba, passar um fim de semana. Foi outro que tentou tirar a minha tão requisitada virgindade e não conseguiu. Nunca mais o vi, a não ser por Orkut e MSN.

Com 17 anos e alguns meses finalmente soltei a periquita. Não era meu namorado e a gente não se conhecia direito, mas eu queria que fosse ele. Ao som de “Stairway to heaven” ele começou a tirar minha roupa e eu odiava isso. Tinha vergonha e não sabia como tampar minhas partes e ao mesmo tempo não olhar para o trem dele. Coloca, só coloca e não precisa de mais nada!

Doeu pra cacete (tira esse negócio de mim!) e, pra piorar, dois dias depois a ginecologista falou que ainda tinha boa parte do hímen para ser rompido. O jeito era fechar os olhos na segunda vez e agüentar o tranco para acabar com isso logo.

Com uns 20 anos eu arranjei o primeiro estágio. No dia da entrevista os três chefes eram tão bonitões que eu adorei ter escolhido fazer Publicidade. 1 ano depois eu já estava repensando a profissão que teria de seguir para o resto da vida.

Enfim, existem vários tipos de primeira vez e eles ao precisam ser necessariamente bonitos, perfeitos e únicos. O importante é ter história para contar depois.

O homem das 10 etapas

Meninas, tomem cuidado, esse tipo de homem existe e pode estar bem próximo de você.

Etapa 1

Ele aparece discreto, triste e bem arrumado. Tem um jeito discreto de te olhar e sorrir. Ele aparece com uma desculpa de que é sozinho, que precisa conversar com você, que a vida não tem sentido e que a última mulher com que ele se envolveu acabou com a vida dele. Você se encanta, quer cuidar, quer mostrar que a felicidade existe e acaba largando tudo pra ficar com ele.

Etapa 2

Sem se dar conta do tempo, de repente ele está há três meses na sua vida. Ele começa a falar que é o melhor em tudo, que sabe de tudo e que tem mil mulheres querendo o amor dele. Ele começa a te mostrar cartinhas de amor das outras, fala dos problemas da única vítima no mundo (ele), te mostra todas as fotos do antigo relacionamento, de como era feliz e hoje triste. Você, burra, consola.

Etapa 3

Você olha para o lado e ele te pergunta para quem você olhou. Você sai com um amigo e ele diz que seu amigo quer é te comer porque não existe amizade entre homens e mulheres. Ele não gosta que você trabalha (tem que ficar por conta dele o tempo todo). Se você tem um momento de cansaço ele diz que seu sentimento acabou. Ele começa a te consumir e virar seu dono. Sabe te machucar com palavras.

Etapa 4

A sua “ficha cai”. Você finalmente acorda pra vida. A burra apaixonada finalmente percebe a situação ‘Dono-objeto’ e cai fora.  O poder desse homem é grande, então você começa a se sentir sozinha. Mas você é forte e vai fazer o que quiser, com quem quiser, do jeito que quiser e na hora que quiser. Ele vai descobrir (não tudo, claro, mas um pouco do que você fez).

Etapa 5

Ele aparece triste, arrependido e doente. Ele está doente porque você o deixou. O teatro é muito bem feito, porém com algumas falhas: ele repete frases pra você, já ditas antes à outra que tanto o fez sofrer antes de te conhecer. Você sabe dessas frases porque ele já detalhou cada momento com a antiga mulher da vida dele. Ele se confunde nas mentiras e nas histórias. Mesmo assim você resolve dar uma chance (como assim? Burra!).

Etapa 6

Ele toma conta de você novamente, briga mais vezes, vira para o canto e te ignora. Fala mal de todas as mulheres e você acredita. Ele conta mais detalhes de amigas, sexo, interesses, brigas e você acredita. Ele exige que você detalhe sua vida particular com outro também. Você, amiga, está burra outra vez, logo você que sempre foi esperta. Fazer você de burra é a especialidade desse tipo de homem.

Etapa 7

Na verdade, boa parte das histórias que ele te contava era mentira. Era tudo para te fazer sentir ciúme dele, te impressionar. Você caiu feito um patinho querida… que pena. Você foi tão compreensiva, né? Teve tanta paciência em ouvir… que pena…

Etapa 8

Você quer fugir, mas ele não deixa. Você quer ser livre outra vez, ele não deixa. Você não sabe o que faz, a culpa parece ser sua (cegaaaa!).

Etapa 9

Pela milésima vez ele promete mudar. Ele te olha com cara de quem vai morrer, consegue chorar, te agarra, tenta te forçar, implora para você não ir. Mas, finalmente, você não é mais boba (já era tempo, amiga, até que enfim você acordou).

Etapa 10

Ele aparece discreto, triste e bem arrumado. Tem um jeito discreto de olhar e sorrir… para ela!

Você querida, ele não engana mais.

Semana

Apesar da famosa segunda-feira ser um saco, esse dia da semana é o melhor para mim. Primeiro porque no fundo eu adoro trabalhar, adoro ter coisas para fazer e adoro correria. Depois porque a minha energia de segunda é um exemplo para todos: eu nunca estou mal humorada, e eu estou disposta para ajudar a todos e ainda fazer o meu serviço – em dia.

Fico até depois do horário, brinco com todos e estou sempre sorrindo, principalmente se o fim de semana foi bom.

Na terça não é muito diferente e mesmo se eu levei rala a segunda inteira eu consigo voltar animada, afinal, o outro dia já é quarta-feira, meio de semana, perto do fim de semana.

Chega quarta e eu começo a demonstrar um cansaço e uma pequena dificuldade para acordar. Quarta é um dia corrido, no qual tenho que fazer pesquisas em concorrentes e terapia no horário de almoço. Volto do almoço perto das 4 da tarde e o serviço começa a acumular. Ou o tempo demora a passar ou ele voa, depende do rendimento e no final acaba faltando coisa pra fazer. Ir para a faculdade na quarta, depois do trabalho, começa a incomodar. Chego em casa, tomo banho e durmo.

Quinta-feira meu despertador toca. Mais 10 minutos. Toca de novo. Mais 10 minutos. Toca de novo. Mais 10 minutos. Odeio o meu despertador e me odeio porque levantei atrasada. São 7 e meia e eu ainda estou de calcinha sentada na cama. Eu levanto, vou ao banheiro tampando os peitos, caso eu cruze com meu pai no meio do caminho, faço xixi, lavo o rosto e volto pro meu quarto ainda de calcinha sem saber que roupa colocar.

7 e 40 e eu ainda não comi coisa nenhuma, sinto fome e não posso chegar atrasada porque meu chefe vai olhar no relógio assim que eu entrar na sala e vai perguntar: “Você chegou agora?”.

Costumo chegar 5 minutos atrasada nessas quintas, trabalho muito bem até chegar 4 horas da tarde. O horário maldito: 4 horas da tarde de quinta-feira. Eu sou péssima. Eu não rendo. Eu paro tudo. Eu fico sonhando, bebendo água, indo ao banheiro, procurando coisas pra fazer diferentes das que eu tenho que fazer. De repente uma bomba aparece. É Sic Marketing me ligando, é oferta errada, é foto errada, é recado não recebido, é promoção surgindo, é de tudo que poderia ter acontecido calmamente de segunda a quarta, mas só acontece na quinta depois das 4 da tarde.

Saio mais tarde, sem vontade de ter saído mais tarde. As olheiras estão presente em meu rosto. Geralmente não vou a faculdade nas quintas.

Sexta-feira eu choro quando o despertador toca, levanto 7 e 35, tomo café, e chego uns 10 minutos atrasada. Saio para o almoço, volto do almoço, e chega 4 da tarde. De repente tudo fica tranqüilo e eu consigo render. Acho que é porque no outro dia é sábado. Faculdade sexta? Nem sei que aula tem.

Sábado de manhã eu acordo antes do despertador. Durmo mais um pouco e na melhor hora do sonho a desgraça toca. Eu penso em ficar doente, entrar em depressão e pedir licença por não ter condições psicológicas de trabalhar. Penso em marcar consulta com um psiquiatria e pegar um atestado de 20 dias alegando que o trabalho está destruindo minha felicidade.

Mas enfim, eu saio de casa. Quando chego um monte de gente fala “bom dia Carol”, “bom dia princesa”, “bom dia linda”, “bom dia querida” e eu até gosto. Sei que olham para minha bunda, mas até que me dá vontade de trabalhar. Sábado é tudo calmo e dá para tirar mais atraso de tarefas. Quando eu vejo, são quase 2 da tarde e eu tenho vontade de continuar trabalhando.

Chega domingo de noite e eu odeio ter que ir trabalhar no outro dia. Mas quando acordo na segunda, tudo muda e eu me torno a menina mais eficiente do mundo. Até na quinta, depois das 4 da tarde.

A nora que sua mãe gostaria (ou não) de ter

Ela não lava, não passa e não cozinha.
A única coisa que ela faz mesmo é lavar louça suja porque tem mania de limpeza.
Ela vai morrer de ódio se seu filhinho querido colocar os pés sujos na roupa de cama.
Ela tem medo de panela de pressão e nunca vai fazer feijão para deixar seu filhinho fortinho.
Ela vai deixar a calcinha fio dental e de renda pendurada no gancho do banheiro. E se você for visitá-la, favor não se assustar ao ir ao banheiro, pois ela dá bem dado para seu neném.
Ela sabe pedir marmita pelo telefone. Se você tem dó do seu filho comer de marmita, ensine-o a cozinhar, já que para isso ela não tem tempo e muito menos vontade.
Ela não vai gastar todo o dinheiro dele. Ela tem o dela e vai torrar tudo no salão de vez em quando, pois o tempo para vaidades será raro.
Quando seu bebê se casar, você só vai ajudar a decorar o novo lar dele se a nora pedir.
Quando seu bebê se casar, você nunca vai ensinar a receita preferida dele, porque a nora não tem nenhum interesse em conhecê-la (se quiser, pode ir lá cozinhar, mas não reclame do local em que as panelas, os tabuleiros, as vasilhas e os talheres estão guardados – a casa não é sua).
Ela tem nojo de meia suja e nunca vai lavar as do seu filhinho. Se ele não souber lavar as meias e as cuecas dele, assim como calças jeans e camisas, a nora vai falar “manda pra casa da sua mãe, se ela quis lavar até ontem, não é agora que vai parar”.
Ela resolveu ser Publicitária, ou seja, ela não terá tempo para os almoços de domingo insuportáveis de sorrisos e assuntos mesquinhos e falsos que acontecerão na sua casa, ok? Isso fica para o namoro, pois namoros são a verdadeira enganação da realidade de uma vida a dois.
Ela vai deixar os netos na sua casa de vez em quando, sim. Mas é bem de vez em quando, porque dos filhos dela, ela cuida.
Ela vai educar os filhos da maneira que ela decidir.
Se ela quiser ter só um filho, ela vai ter só um filho.
Se ela quiser ter filhos só depois de 5 anos de casada, problema dela. Se quiser netinhos, se contente em ver novelas.
Ela não vai querer nunca viajar para a praia no final do ano e ficar no mesmo apartamento que você com 3 suítes do melhor hotel da cidade. Cada casal aluga o seu, e como agora ela é casada com seu filho, ele vai ficar em um apartamento que caiba somente os dois.
O seu filho, sogra, agora é DELA.
Ela não é tão meiga.
Ela odeia palpites.
Ela fala alto.
Ela é desastrada.
Ela compra a geladeira que ela quiser.
Ela também ama seu filho e agora, repetindo, ele é DELA.
Ela está engordando e é problema dela e não seu e das suas vizinhas.
Ela não quer aprender a fazer tricô.
Se a cueca do seu filho furar, ela compra outra nova (bem sexy, de shortinho), mas nunca vai remendar a velha.
E se você remendar a cueca e mandar para ele de volta, pode ter certeza que de todo jeito a cueca vai para o lixo, sem querer, é claro.

Um Bicha em Minha Vida

Gente, esse texto é uma história verdadeira que aconteceu comigo no começo de 2006. É grande, mas divertido. Tirem um tempinho para ler. Pra quem gosta de ler, fique à vontade!

Era fevereiro, na sexta-feira de carnaval. Eu estava tranqüila e feliz no meu escritório quando ele me apareceu de jaqueta jeans, camisa alaranjada, correntes penduradas no pescoço e óculos escuro na cabeça.

– Oi, tudo bem?

– Tudo! – respondi simpática e feliz.

– Hmm, me ‘faix’ um ‘favorxinho’? ‘Maishh’ é favor em? Sem cobrar.

– Depende. – respondi sorrindo e bem educada.

– Você ‘exxcaneia’ ‘fotoixx’? – e jogou os cabelos que não existiam (ele deve ter imaginado) para os lados, tipo a Carla Perez.

 Como eu vi que ele apenas queria que eu escaneasse as fotos e as salvasse num cd ou disquete dele, eu decidi fazer esse favorzinho.

– Me dê as fotos que eu faço pra você.

Saíram de um envelope amarelo, meio estragado, três fotos de rosto. “Cada uma ‘cuxtou’ oito ‘reaix’”.

Assim que me entregou suas fotos ele se sentou na minha frente, jogou os cabelos invisíveis para o lado e apoiou sua delicada face nas mãos. Começou a falar.

– Ai, eu vim do Rio. Já percebeu, né? O jeito que falo – risos – minha avó mora aqui, sabe? Como que é esse negócio aqui. É seu? Você trabalha aqui?

– (Que falação.) É do meu pai – a primeira foto já estava sendo escaneada – eu trabalho aqui com ele.

– Num tá precisando de ninguém pra trabalhar aqui não? – risos

– Não por enquanto – eu ainda estava educada e sorridente – estamos em fase de experiência ainda.

– A não… Vê se consegue algo pra mim. – risos

– Uai, você já trabalhou com o quê?

– Sou ator – mais cabelos para o ar. Ele pega um cartãozinho do escritório (aqueles cartões de visita) na minha mesa, uma caneta e começa a rabiscar. – Ator da Globo.

– Sério? Que novela já fez?

– Da Cor do Pecado, Malhação…

– Mas eu nunca te vi na Tv. Qual o seu nome?

– Ai, pode me chamar de Jota Júnior. É que eu sou figurante da Globo.

– (Uh! Que mentira!) Ah, é? Então o que você está fazendo aqui em Ituiutaba?

– Vim ganhar dinheiro e ajudar minha avó. – risos

– (Ai meu Deus, é cada um que me aparece.) Sei…

– Posso te perguntar uma coisa? – E piscou o olho.

– Oi? – Acabei de escanear as fotos, sentei e esperei a pergunta.

– Você tem algo contra – e baixou a voz, se aproximando de mim – gays?

– Não, uai!

– Ai, que bom!! Bate aqui – levantou a mão direita – É que eu sou gay. – risos

– Eu sei. Acha que não percebi? – já não estava mais sorridente e tããão educada.

– Agora você passa ‘ashh’ ‘fotoshh’ para o meu email? – risos

– (Tá, só mais isso que eu faço pra esse menino) Passo, qual o seu email?

Então ele pegou a caneta, outro cartãozinho da MINHA mesa e começou a anotar, ou melhor, rabiscar seu email. A letra era um garrancho!

Assim que acabou de anotar seu enorme email do yahoo ele me faz a idiotice de autografar o cartão do MEU escritório!

Enquanto eu abria o Gmail para enviar as fotos do J. JUNIOR  em seu email, ele se levantou e espichou o pescoço até a tela do computador.

– Ai, o que é isso que você tá usando? – risos

– Ah.. MSN.

– Ai! ‘Faixx’ um pra mim? É que eu sou modelo também, ator e modelo, quero divulgar minhas fotos! ‘Faixxxxxxx’ agora, ‘faixxxx’? – risos

– Faço, mas outro dia.

– E um Fotolog? –piscou o olho direito – ‘Faix’? – risos

– (Folgado!) Não posso. Meu pai não deixa. – As fotos já estavam sendo enviadas. (Envia logo, envia logo!)

Desconectou. A internet sumiu do nada.

– Olha, a conexão caiu, depois eu te mando as fotos, tá?

– Ai, e agora? Sabe o que é? É que eu quero arranjar um namorado. Me ajuda? Põe ‘minhaxx’ ‘fotoxx’ na internet?

– Tá.

– Você é minha amiga, né?

– (Quê? Ele é doente!) Uhum…

– Vamos juntos no carnaval hoje? Onde que compra o ingresso?

– Via Z, na 15. Tá R$ 120,00.

– Heim? Cento e vinte? Ah.. vamos na pipoca comigo?

– Ah… sabe, a turma vai de Abadá, vou com eles.

– Ah.. – e fez uma cara triste – Posso te perguntar uma coisa?

– Ahãm.

– Se eu fosse homem, você namoraria comigo?

– ( Tiro no peito – esse trem feio?) Hum, seu olho é azul assim mesmo?

– Não, é lente. – risos – Mas e aí, namoraria ou não?

– Ah, já tenho namorado.

– Ele é bonito?

– Eu acho.

– Mais que eu?

– (Muito mais, seu viado filho da puta!) Você não faz meu tipo.

– Ah…  – cara triste – Deixa eu te contar minha história.

– (Nãããããããoooo!!!) Ah…

– Quando eu tinha cinco anos eu fui ‘ EIXTRUPADO’ – E fez uma pausa, me olhando com cara de quem espera um ” Sério? Tadinho. Oh, mundo cruel.”. Mas eu fiquei calada, olhando minhas unhas. Ele continuou:

– Ele era preto. Por isso eu ó-dé-í-ó preto.

– Credo. – e descobri uma unha quebrada.

Risos- ‘Maish’ eu ‘goxtei’! Por isso sou gay.

– (Gay não! Bicha, viado, doente!) Hum…

Olhei para fora da sala e vi uma amiga, que trabalha aqui no shopping também, passando.

– Espera só um pouquinho? – Fui lá pra fora falar com ela:

– Dani, me ajuda, daqui a pouco vem aqui e me chama pra sair?

– Que isso, menina?

– Urgente!

– Ok, pode ficar calma. Daqui a pouco tô aqui.

Entrei na sala, sentei na minha cadeira. Já estava feliz. Daqui a pouco ia ficar livre desse trem.

– Fui ali falar com a Daniela. Doida.

– Amiga, deixa eu te perguntar, você ‘goxxta’ de que tipo de música?

– Vários.

– Você tem algum ídolo?

– Não.

– Humm. Nem o Dado Dolabella? Tenho 30 ‘pôxterx’ dele! E do Zezé ‘maix’ o Luciano? Amo!

– Odeio!

– Nem das músicas deles?

– Sertanejo? Odeio.

– E a Wanessa, a Sandy?

– Odeio. Acho que os nossos gostos não batem, tá?

– Fala algo que você ouve.

– Pink Floyd.

    Silêncio.

– Você tem músicas aí no computador?

– Claro.

– Deixa eu ver?

– Uai, você não vai conhecer nenhuma.

– Tem Zezé?

– Eu te falei, não escuto sertanejo. (Daniela! Cadê você?)

– Ai, eu adoro a revista G. Tenho um monte.

– Sei… (Mas que dentes feios você tem! Arg!)

– Você já viu… é… – risos – homem com homem?

– Não.

– Eu já.

– Claro, né? Você é  gay.

– Mas só em fotos eu vi. É porque sou virgem. Ainda não encontrei alguém.

– Ah. Quantos anos você tem?

– 19. Vou fazer 20 dia 9 de março. Você vai me dar presente, né? – risos – Você disse que é minha amiga.

E disparou a detalhar os presentes que eu tinha que dar pra ele. No começo eu pensei que ele estava apenas falando por falar. Mas ele estava crente de que eu ia dar aqueles anéis idiotas, mais as drogas das pulseiras, sendo tudo banhado a ouro!!! Eu não acreditava. Ele deu um chilique porque eu disse que não ia dar presente nenhum. Ele deu chilique!!!

– E aí, Carol. Vai poder ir lá comigo?

A Daniela chegou.

– Claro! Olha Júnior, vou Ter que sair, tá? Tchau.

Levantei, peguei a chave e comecei a fechar a porta. Mas o besta nem se mexeu.

– Júnior, eu tenho que trancar a sala.

– Eu vou te esperar aqui. – risos.

– A gente vai demorar no mínimo 3 horas, você não pode ficar aqui.

– Ai, tá bom. Ó, a gente se encontra na pipoca então?

Pegou minha caneta, outro cartãozinho, escreveu um telefone, fez outro autógrafo, me entregou e falou:

– Me liga pra gente combinar hoje de noite, viu?

– Pode deixar.

E fui embora.

Depois disso descobri que quero a morte de todos os viados. Todo o preconceito que eu não tinha acabou e agora eu tenho todos os preconceitos possíveis contra bichas!

Dei uma voltinha pelas ruas, tomei sorvete, conversei e depois de um tempo voltei pro meu querido escritório.

Mas ele estava lá na porta. Parado. Em pé. De jaqueta jeanz, camisa alaranjada, correntes penduradas e óculos escuro na cabeça.

– Esqueci meu envelope com ‘aixx’ ‘fotoxxx’. – risos.

A neta

Eu poderia deixar os inimigos de lado e escrever sobre os velhos que dançavam.
Eles dançavam com a simplicidade que os adolescentes idiotas não têm mais. Eles dançavam com amor ao momento que raramente acontece.
A felicidade dos velhos é muito mais sincera do que a felicidade da menina de 16 anos que acende um cigarro e finge ter prazer em fumar. Ela não pára de arrumar o cabelo.
A felicidade dessa menina não existe. Ela sorri todo o tempo, assim como arruma o cabelo. Ela tenta dançar e ser notada. Acende mais um cigarro e diz querer provar mais que isso.
Os velhos chegam em casa satisfeitos, contam para os vizinhos do forró que tinha comida e guaraná de graça. Contam para os vizinhos que há tempo não dançavam tanto.
A menina chega em casa e vai dormir sozinha. Ela fede bebida e cigarro. Ela gastou todo o dinheiro que o pai deu. Ela tem apenas 16 anos e se sente cansada de tanto dançar. Ela quer acordar e contar para as amigas o quanto vomitou ao chegar em casa.
A velha senhora acorda e vai fazer o café.
Sua neta ainda não acordou e ela se pergunta qual a razão de uma jovem dormir tanto. A velha senhora sorri lembrando do forró enquanto a neta resmunga lembrando de mais um dia de escola.

O banho

Hora do banho.
Nua, está completamente nua. Água quente e gostosa, dá vontade de ficar lá um tempão, mas não há tempo, ainda é preciso treinar todos os tipos de banho, pois caso eles tomem banho juntos, é preciso ser sexy.
Murchar a barriga de um jeito, arrebitar a bunda de outro, encher o peito para aumentar os seios, lavar os cabelos devagar e sem deixar cair espuma no rosto. A espuma deve percorrer o corpo todo.
Pegar o sabão com cuidado, lavar primeiro os seios, depois a barriga, as coxas e as pernas. É preciso ser sexy. Cuidado! Se ficar muito relaxada o seio volta a ficar pequeno, encha o peito garota!
Momento de fazer charme.
Pedir para ele pegar o condicionador e ser rápida: assim que ele se virar esfregar o bumbum e a perereca.
Pegar o condicionador e deixar cair um pouco entre as coxas. Treinar bastante este momento para não errar o rumo. Agora ele deverá estar doido, querendo pegar de jeito.
Pegar o sabonete, pedir mais uma vez o condicionador. Quando ele se virar, deixar o sabonete cair, virar de costas, falar que é desajeitada, pegar o sabonete no chão e ver estrelas.

Pronto, ela já treinou o bastante. Agora é colocar um vestido vermelho, secar o cabelo e aguardar. É preciso por em prática tudo que treinou.
Ele chegou, está limpo, com roupa cheirando amaciante e pele cheirando sabonete. Que pena…

Hora de escutar:
“Que bom que você já tomou banho. Vamos logo que o jogo começou e a carne já ta na churrasqueira do Betão.”

“Enquanto você se esforça para ser um sujeito normal…”

Exisite um “povim“, não os desmerecendo, mas são realmente uns “povins“, um bando de gente à toa, por volta de 16, 17, 18 e 19 anos, que só andam de preto.
Tem dias que eu saio de noite e fico olhando pra essas meninas de batom vermelho sangue, pó branco na cara, cigarro na mão, colar cheio de espinhos, olheiras forçadas (e eu lutando para evitar essas malditas olheiras), pulseira cheia de espinhos, sombra preta nos olhos e roupa preta.
Eu fico olhando e as escuto, quando escuto, falando da vida que não presta.
E vejo também os homens que as acompanham. Todos de preto, espinhos pelo corpo, aneis nos dedos, esmalte preto, lápis no olho e olheiras forçadas.

Além de fumarem com muito orgulho e cuspirem a fumaça na nossa cara, são metidos a usuários de drogas experientes. Adoram uma festinha para poderem usar as fantasias de vampiro que têm em casa.

A maioria não faz nada da vida, gasta o dinheiro dos pais pra comprar essas fantasias, maquiagens (alguns desses meninos devem usar a maquiagem da mãe, creio eu), mal sabem escrever, fingem que estudam, dormem o dia inteiro, pois odeiam a luz do dia e de noite saem para reclamar da vida.

Eu tenho uma vontade enorme de esfregar a cara desse “povim” no chão, mandar cada um deles criar vergonha na cara e ir trabalhar pra pelo menos pagar o cigarro e a droguinha de cada dia.

Bom, problema deles se não sabem ver o lado colorido e alegre da vida.