A neta

Eu poderia deixar os inimigos de lado e escrever sobre os velhos que dançavam.
Eles dançavam com a simplicidade que os adolescentes idiotas não têm mais. Eles dançavam com amor ao momento que raramente acontece.
A felicidade dos velhos é muito mais sincera do que a felicidade da menina de 16 anos que acende um cigarro e finge ter prazer em fumar. Ela não pára de arrumar o cabelo.
A felicidade dessa menina não existe. Ela sorri todo o tempo, assim como arruma o cabelo. Ela tenta dançar e ser notada. Acende mais um cigarro e diz querer provar mais que isso.
Os velhos chegam em casa satisfeitos, contam para os vizinhos do forró que tinha comida e guaraná de graça. Contam para os vizinhos que há tempo não dançavam tanto.
A menina chega em casa e vai dormir sozinha. Ela fede bebida e cigarro. Ela gastou todo o dinheiro que o pai deu. Ela tem apenas 16 anos e se sente cansada de tanto dançar. Ela quer acordar e contar para as amigas o quanto vomitou ao chegar em casa.
A velha senhora acorda e vai fazer o café.
Sua neta ainda não acordou e ela se pergunta qual a razão de uma jovem dormir tanto. A velha senhora sorri lembrando do forró enquanto a neta resmunga lembrando de mais um dia de escola.

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