Archive for outubro \24\UTC 2008|Monthly archive page

Solidão

Todos os dias ela senta em seu túmulo e começa a escrever cartas que nunca serão entregues a ele. O acaso encerrou seis anos de um casamento que acabou em tragédia e nenhuma criança, nenhuma vida, nenhuma lembrança concreta.

A cidade é pequena, o cemitério é pequeno e as cartas longas. As lágrimas nunca secaram e a cada parágrafo da viúva solitária, choram as pessoas que a assistem todos os dias do lado de fora do cemitério. A cada palavra parece tocar uma música triste e melancólica. Ela é mais uma nesse mundo que perdeu um jovem marido e ela é mais uma que preferiu mergulhar na escuridão, na solidão e na eterna tristeza de não ter mais ao seu lado a companhia de todos os dias.

Todos os dias ela chega em casa e encontra a TV desligada, a cozinha arrumada e o lado esquerdo da cama vazio. As lágrimas nunca vão secar, nunca mais.

Todos os dias ela pensa em quantas coisas aprendeu em 32 anos de vida e chora de raiva por não ter aprendido a mais importante: aceitar a morte daquele que prometeu envelhecer ao seu lado e não pôde cumprir a promessa.

Todos os dias ela almoça sozinha, toma banho sozinha, dorme sozinha, acorda sozinha, chora sozinha, escreve sozinha, lava a louça sozinha, janta sozinha, faz tudo sozinha.

É a mesma coisa sempre e tudo lembra ele, tem o cheiro dele, mas não tem a presença dele.

Quanta solidão sem saída e sem solução.

A cada dia que passa ela tem mais certeza de que não existe “seguir em frente” para um amor que morreu e deixou tantas saudades.

Despencou

Meu humor despencou. Minha produtividade despencou. Meu estômago despencou. Meu sorriso simpático de cada dia despencou. Minha paciência despencou. Zerou. Não tenho mais paciência. “Ai, Carol, mas você sempre foi tão paciente”. Não sou mais. Caiu. Sumiu. Despencou.

Além de músicas evangélicas, agora escuto KLB, Rouge e Sandy e Júnior. Tudo despencou. Meus tímpanos despencaram.  A chuva despencou e a droga do calor voltou. O sol despencou em mim e não brilha, apenas queima. Droga.

O tempo despencou, estragou e parou. As horas não passam mais.

Já falei que meu humor despencou? Já, né? Mas ele despencou mais ainda. Coitada de mim. Minha felicidade despencou também e eu estou sentindo muito ódio, ódio, ódio e ódio. “Ai, Carol, mas você sempre foi tão alegre e saudável”. Fui, não sou mais. Nem saudável eu sou, sofro da doença futilidade que ainda me contamina.

Meu amor despencou. Eu odeio quem ama e tem o amor do lado. Eu odeio quem escreve frases de amor. Eu odeio quem põe foto no Orkut e escreve “alma gêmea”. Eu odeio pessoas sem atitudes e eu odeio quem tem medo de chefe e vem me pedir favorzinho porque num tem coragem de falar com o chefão poderoso que vai te fritar.

Minha energia despencou. Minha luz despencou e tudo está escuro. Eu só quero falar “afe” “aaaaaaaaffffffffffeeeeeeeee”.

Que saco.

Maldita futilidade

Há umas três semanas, mais ou menos, eu estou sofrendo de futilidade, doença comum entre garotas de 15 anos, mimadas, podres e que não fazem nada da vida. Essa doença tem alguns sintomas leves no seu início que podem se tornar mais graves ao longo do tempo.

No começo eu entrava algumas vezes por semana em sites de fofocas e conversava de vez em quando sobre casamento e cozinha com algumas meninas aqui do meu trabalho.

Hoje estou completamente doente e não sei se ainda tem cura. Vejo meu Orkut quase todo o tempo e principalmente sites de fofoca. Vejo fotos da Britney, depoimentos da Ivete sobre sua gravidez e seu aborto espontâneo. Acompanho cortes de cabelo, roupas, quem casou, quem separou, quem engordou, quem emagreceu, etc.

Eu estou sentindo essa doença cada vez mais presente em mim, não estou encontrando a cura e não sei onde procurar ajuda.

Eu nãããoooo quero continuar assiiiiiimmm!!! Eu não quero saber que a Britney saiu chorando do ensaio do mais novo clipe! Eu não quero saber que no babador do filho de 10 meses da Danielle Winits está escrito Rock Star.

E praticamente todas as meninas do meu trabalho estão grávidas, o que está me fazendo acreditar que gravidez também é vírus, e eu nunca tenho assunto com elas porque eu não sei o que falar dessas coisas de parto, chás, maridos, amamentação e demais assuntos grávidos. Mas eu fico lá, escutando e sonhando, falando de cozinha, decoração e regime!

A doença está tomando conta de mim e eu gostaria de ajuda, de nome de remédio, de clínica de reabilitação ou qualquer coisa que me faça voltar a ser a mulher sadia e esperta que sempre fui!

Campos, mares e flores

Pegue em minhas mãos e me leve para o lugar mais escondido. Me mostre campos, mares e flores e eu vou rir na sua cara.

Nada vai mudar minha opinião, nada vai mudar meu mundo.

Tenho o meu sorriso de volta e nada melhor do que ele para me trazer mais uma boa manhã de trabalho.

Pegue em minhas mãos e me faça acreditar na esperança, na mudança como sempre acreditei até você me jogar no mar, até você poluir todo o campo e até você queimar todas as flores. Então eu vou ficar lá sozinha, encolhida nas cinzas e na feiúra que você me fez acreditar que existe. Eu vou rir na sua cara.

Não tente me mostrar a beleza que sempre existiu em mim e você apagou. Não tente aparecer com ar de arrependimento e flores em suas mãos. Nada vai mudar minha opinião, nada vai mudar meu mundo.

Tente me pegar pelas mãos, pelos braços, pelas pernas e me arrastar para seu ódio que eu vou rindo, machucada, mas rindo porque há muito amor dentro de mim.

Ouse me pegar pelas mãos e me mostrar qualquer imagem, qualquer frase, qualquer momento e qualquer sinal de felicidade que eu vou rir na sua cara antes que você me despreze novamente. Nada vai mudar minha opinião, nada vai mudar meu mundo.

Pela última vez solte minhas mãos, dê as costas e vá embora. Há muitos campos, mares e flores para recuperar e nenhum deles pertence a mim.

Você de volta

Se você quiser, eu posso escrever apenas coisas bonitas e doces, e assim vão passar a me achar mais discreta e correta. Talvez assim não falariam mais de mim pelas costas e não me chamariam de doida que fala bobagens.

Se você quiser, eu posso escrever das suas mãos que tanto gosto mesmo com suas unhas roídas, mas eu serei obrigada a escrever do que elas são capazes de fazer e então me chamariam de ousada novamente. Eu gosto de suas mãos junto às minhas, gosto de andar de mãos dadas com você e ficar te olhando andar. Mas isso é segredo meu.

Se você quiser, eu posso escrever sobre os meus segredos. Tipo pequenos detalhes que eu não gostaria que você soubesse, porém, se você quiser, eu posso escrever sim.

Eu estou voltando a entender o que você fala, estou voltando a sentir aquela sensação que só você sabe proporcionar, não importa onde eu esteja. Estou te conhecendo novamente e não sei se estou vivendo tudo de novo ou se estou vivendo algo novo.

Te esquecer, eu nunca esqueci, mas em alguns momentos eu não pensei em você e quando eu pensava, era pra valer.

Se você quiser, eu posso parar por aqui, ou então vão me chamar de apaixonada. Só uma apaixonada quer abraçar um ursinho de pelúcia quando vê um galo na rua.

Suas manias, seu jeito, seu cabelo liso e seu boné novo me derretem.

Se você quiser eu posso parar por aqui antes que me chamem de ridícula que escreve sobre amores bregas.

Mas eu já escrevi e não tem como apagar.

Só para terminar, ainda brega, não tem como te apagar. E esse é meu maior segredo já publicado.

Sem volta

Ela tinha roído todas as unhas até sangrar e se arrependeu pelo resto da noite por ter tido tantas atitudes idiotas naquele tempo.

Ela acordou jogada no chão da sala, suja, imunda com tanta porcaria ingerida durante todo aquele tempo.

Ela chorou a tarde inteira, tentou usar todo tipo de desinfetante pelo seu corpo, tomou 15 banhos e se arrependeu por ter se sujado tanto durante todo aquele tempo.

Era bela, esperta, inteligente. Tinha tudo que queria, mas conseguiu ser estúpida e não tinha volta.

Assustou a família e saiu de casa vestindo trapo, os cabelos raspados com a lâmina de barbear do marido, o couro cabeludo todo cortado e com sangue escorrendo pelo pescoço.

Andou pelas ruas e sentiu o vento no rosto que secava o sangue e formava cascas em cada corte. Andou pelas praças e sentiu o calor do chão em seus pés.

Começaram a apontar para a louca desconhecida, para o zumbi em forma de mulher que andava pela cidade. Começaram a gritar, a correr e ela xingou cada um deles.

Ela preferia morrer, ela havia perdido tudo, nada tinha mais sentido. Ela perdeu o que havia de melhor na sua vida durante aquele tempo, maldito tempo.

A polícia chegou, a reportagem chegou, a multidão se aglomerou e todos olhavam assustados para a moça suja de sangue e louca que vestia trapos.

Ela gritou pedindo que a matassem com um tiro no coração porque ela deveria morrer pelo coração que a fez sofrer durante todo aquele tempo. Ela chorou no asfalto dizendo que tudo poderia ter sido diferente. Ela estava arrependida e deveria morrer pelo coração. Quando disseram que não iriam atirar ela chorou mais e implorou sua morte.

Uma criança na multidão largou das mãos da mãe e correu até ela, fitando-a nos olhos. Ambas se olharam e a criança disse que ela ainda era linda, apesar da tristeza no olhar.

A louca da cidade pegou nas mãos da criança, disse que não dava mais e pediu desculpas antecipadamente, mas ela precisava morrer, precisava fazer com que a matassem.

Começou a enforcar a criança que ainda a encarava e aos gritos da mãe a polícia teve de atirar no coração da mulher.

Ela caiu no chão, morta pelo seu próprio coração. Seus olhos estavam tristes e mortos, seus lábios entreabertos e mortos, sua face cheia de sangue e morta.

No velório o caixão ficou fechado o tempo todo. Apesar de morta e de ter morrido com os olhos tristes e desesperados, pediram para esconder uma morta tão bonita de tanta felicidade.

Criançada em festa

Outubro, mês das crianças, pipoca, algodão doce, cama elástica, gritos, sorrisos e alegria pura. A semana aqui foi corrida com uma atividade voltada para esse público que não tem preocupação, a não ser a tarefa de casa. Foram 06 escolas, com alunos por volta de 7, 8 anos de idade, visitando a padaria do supermercado e ganhando lanche.

Durante 05 dias o supermercado foi visitado por quase 220 crianças que desciam correndo da perua e aguardavam ansiosamente pela padaria.

Acompanhei o máximo que pude e notei grandes diferenças das escolas particulares pelas públicas. Mas muito tinham em comum também.

O assunto principal foram as eleições. As turminhas conversavam sobre os candidatos a vereadores e prefeito. Gritavam os nomes dos vencedores e dos que perderam também. Sabem de tudo. Falam de tudo. Ganhei alguns apelidos como o Tia Carol, Carolina com “C”, Moça Bonita e tiaaaaaa, tiiiiiaaaa, tiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaa. Ao passar pelos corredores cheio de produtos até chegar na padaria, eles conversavam com embalagens de maiosene, vidros de azeitona e sacos de macarrão. Tirando o alto tom de voz, se comportaram bem e agradeciam sempre.

O que me chamou a atenção mesmo foi a pobreza da escola “de graça para a pupulação”. Quando entrei no pátio dessa escola para ajudar a organizar a turma, vi meninas de 14 anos estudando junto com crianças de 8 e 10 numa mesma sala. Nas paredes da sala de aula que conheci haviam cartazes feitos pelos alunos que ilustravam uma história chamada “O menino que não queria ser preto”. Vi algumas frases como “Não quero mais ser omilhado”, “joelhei e resei” e “O sabão pra ficar branco custava 1 raol”.

Guardei o rosto de dois pestinhas chamados Matheus e Antônio. São aqueles que mais chamam a atenção, xingam as meninas, mas são reservados. De tanto fazer bagunça, sempre levam a culpa, mesmo quando não fazem nada. Seus cadernos eram encapados com páginas de revista, o lápis todo comigo e a mochila rasgada, assim como o uniforme. Matheus tem 10 anos, olho claro e rosto bonito. Antônio é alto, tem 10 anos também e olhos pretos.

Enquanto eu esperava a perua chegar para buscar a segunda turma dessa escola, um menino chamado Diogo entrou com uma vasilha para buscar o almoço. Uma professora me explicou que “aqui a gente dá almoço para algumas casas, quando sobra do almoço dos alunos”. Diogo tem 12 anos e um irmão gêmeo que ficou deitado o tempo todo no chão, na porta da escola. Ambos têm problema mental, com dificuldade na fala e ao andar. O Diogo me chamava o tempo todo para tomar café na casa dele, tinha o rosto todo sujo de catarro e pés descalços. De repente me pegou nos braços com força e começou a me beijar. Fiquei meio sem jeito, sem saber em como agir, fui ficando suja de catarros até que uma professora gritou “Vai embora pra casa! Vai embora que a hora do almoço ainda não chegou!”. É na base do grito mesmo. Tem certos momentos que tem de ser assim e olha que as professoras dessa escola eram mais pacientes do que as de algumas escolas particulares.

Hoje é o último dia e será mais uma escola particular. É de freiras que prometem uma ótima educação para seus filhos, aos olhos de Deus.

A escola pública também promete uma ótima educação. Pelo menos tenta. A grande diferença é que as Irmãs da escola particular andam na última moda, de salto e esmalte. E as professoras da pública dividem arroz, feijão e bife com os alunos no recreio das 9 horas da manhã.

Um dia

Vai chegar um dia que você não vai agüentar olhar para minha cara. Você não vai suportar ouvir minha voz. Você vai odiar cada suspiro que eu der.

Você não imagina o quanto vai querer me xingar por cada mania minha. Mania de ser exagerada, mania de rir sozinha, mania de mexer na unha, mania criticar alguma coisa, mania de fazer xixi, mania de não saber que roupa usar, mania de TPM, mania de comprar, mania de te olhar (você vai odiar o fato de eu ficar te olhando o tempo inteiro!).

Você vai querer sumir quando olhar para o lado e me ver, mais uma vez, ocupando aquele lado da cama. E quando eu roncar de noite por causa desse meu nariz? Nooossaaa, você vai me empurrar no chão e quando eu te perguntar, com aquele gritinho irritante “O que é isso?” você vai falar que eu cai da cama sem perceber. Vai sim, eu sei que vai.

Quando eu resolver ser exagerada, irônica e cínica pela centésima vez em uma semana, você vai olhar para o céu e pensar no que fez da vida pra merecer uma pessoa como eu.

Eu vou te encher de tapas se você não notar minha roupa nova e vou sair chorando pelos cantos da casa. Então você vai falar que quer sumir e vai embora.

Vai ficar sem me dar notícias, sem pensar em mim, vai sair rindo e feliz.

 

 

Mas depois vai voltar correndo de saudades para sua moça cheia de saudades de você. E eu vou te agarrar e falar que nunca senti tantas saudades nesses 30 anos longe. Você vai rir e falar: “Mas foram só três horas, meu amor.”

Você quer?

Imagine:
 
Ela, ele, nada de roupa, manhã fria, hotel, cheiro de café e pão de queijo.
Abraçar, falar bom dia e levantar.
Frutas, sucos, o café, o pão de queijo, férias.
Quarto, tirar a roupa, banho de banheira, brincadeiras com espuma, sexo na banheira.
Passear, comprar revistas, tirar fotos, beijar.
Abraçar, hotel, piscina de água quente, beijos, abraços, amassos.
Comidas, almoço, nada pra fazer, cochilo.
Abraçar, outro banho de banheira, sexo na banheira.
Passear, cinema, presentes para a família, jantar.
Hotel, quarto, cama, ela, ele, beijos, abraços, amassos, beijos em todos os lugares, sexo.
Dormir abraçadinho e começar tudo de novo no outro dia.
 

FIM

Preciso de uma mulher

Cansei. Preciso de uma pessoa do sexo feminino para trabalhar comigo. Se ela for bonita, com assuntos interessantes e inteligente, melhor ainda. Quero olhar pra ela e pensar: “gostosa!”

Chego para trabalhar e me sento em uma sala com dois homens. Vou ali para a outra sala, três homens. Vou ao depósito e no meio do caminho alguém puxa assunto comigo sobre o supermercado: é homem. Chego ao depósito e preciso tirar dúvida com mais um homem.  Homens, homens, homens.

“Troca uma idéia com fulano”. Fulano é homem.

“Chama fulano pra te ajudar”. Fulano é homem de novo.

Fulano vigésimo diz: “Carol, preciso que você me ajude com tal coisa”. Homem, claro.

Quando eu ia para as aulas de auto-escola os professores eram homens. Na hora de fazer prova (e bombar), o cara é homem.

Eu quero uma mulher pra falar de assunto de mulher. Quando eu falo “ai que cólica”, nenhum dos dois homens na minha sala comenta algo sobre o assunto. Quando eu falo “que roupa é essa que a fulana tá usando?” o meu colega olha, sorri e volta a atenção para o computador.

Então, quando eu resolvo ir conversar com as meninas (entre 19 e 23 anos) que trabalham nos caixas, no bazar e na pré-venda aqui do supermercado, tenho que conversar de casamento, terceira gravidez indesejada, ir pra Cachoeira beber no domingo, show do Zezé, Deus, novela, proibições do namorado, proibições do namorado que virou marido, e falta de perspectiva de vida.

Por isso quero uma mulher inteligente, para me apoiar ao criticar a sociedade, a futilidade, as drogas e o show do Zezé. Quero também que ela fale um pouco de homens, roupas, cólicas, absorventes, pílulas, comidas, algumas festas, filme, ator, Mafalda, celulite, estria, caminhadas, sexo e calcinha.

É bom que ela seja bonita para eu pensar no tanto que ela é bonita e capaz de formar uma dupla dinâmica comigo, chutando cada homem dessa empresa que puxar nosso cabelo, que pegar na nossa cintura, que nos chamar na sala só para nos olhar de cima em baixo, que encostarem as mãos suadas e sujas no nosso pescoço para ficar com o cheiro do perfume e que nos irritarem muito com cantadas nojentas.

Homem demais não faz bem, não ajuda, não é legal e enjoa. Preciso de uma mulher.