Solidão

Todos os dias ela senta em seu túmulo e começa a escrever cartas que nunca serão entregues a ele. O acaso encerrou seis anos de um casamento que acabou em tragédia e nenhuma criança, nenhuma vida, nenhuma lembrança concreta.

A cidade é pequena, o cemitério é pequeno e as cartas longas. As lágrimas nunca secaram e a cada parágrafo da viúva solitária, choram as pessoas que a assistem todos os dias do lado de fora do cemitério. A cada palavra parece tocar uma música triste e melancólica. Ela é mais uma nesse mundo que perdeu um jovem marido e ela é mais uma que preferiu mergulhar na escuridão, na solidão e na eterna tristeza de não ter mais ao seu lado a companhia de todos os dias.

Todos os dias ela chega em casa e encontra a TV desligada, a cozinha arrumada e o lado esquerdo da cama vazio. As lágrimas nunca vão secar, nunca mais.

Todos os dias ela pensa em quantas coisas aprendeu em 32 anos de vida e chora de raiva por não ter aprendido a mais importante: aceitar a morte daquele que prometeu envelhecer ao seu lado e não pôde cumprir a promessa.

Todos os dias ela almoça sozinha, toma banho sozinha, dorme sozinha, acorda sozinha, chora sozinha, escreve sozinha, lava a louça sozinha, janta sozinha, faz tudo sozinha.

É a mesma coisa sempre e tudo lembra ele, tem o cheiro dele, mas não tem a presença dele.

Quanta solidão sem saída e sem solução.

A cada dia que passa ela tem mais certeza de que não existe “seguir em frente” para um amor que morreu e deixou tantas saudades.

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