Dia dos Finados: 2 em dose tripla

O Dia dos Finados chegou e já passou. Dois em dose tripla para mim porque além de ser dia 2 de novembro eu fiz 22 anos.

É um dia interessante de se fazer aniversário porque todos perguntam assustados: “Você nasceu no dia dos mortos???”. Sim. Enquanto vocês choram por mortes eu sorrio pela vida.

Como eu não quis fazer festa, apenas programei um simples almoço com alguns poucos amigos, que acabou cedo e sobrou tempo para eu fazer uma coisa que nunca fiz no Dia dos Finados: ir ao cemitério.

Chamei o meu pai, companheiro de todas as horas, e fomos até o cemitério ver o resultado de um dia dedicado a pessoas queridas que já se foram. Flores, velas, flores, velas, flores e velas.

Quando paramos o carro, chegou um garotinho magrelo em uma bicicleta que foi logo falando: “Quenta centavo pra oiá seu carro moço”. Esse dia 2 de novembro é tão badalado que o cemitério fica super movimentado, rendendo alguns trocadinhos pra comprar drogas ou dar o dinheiro pra mãe que fica sentada esperando os pirralhinhos vigiar os carros.

Parecia que tinha tido uma festança, pois a rua do cemitério estava cheia de lixos como cartelas de cigarro, papeis, descartáveis, chicletes e flores esmagadas e sujas. Ao entrar no cemitério vi mais flores e velas por todos os lados. Flores de plástico e flores de verdade. As floriculturas vendem bastante nessa época, né? Até depois de morto a gente continua fazendo um papel importante na economia.

Em alguns túmulos encontrei bilhetinhos que basicamente diziam que em breve todos vão se encontrar e que Deus sabe o que faz. Os túmulos estavam reformados, com tinta nova, inclusive os mais simples. O número de bebês e crianças mortas era até grande. Chegou a me dar uma tristezinha quando vi a foto de um bebê de três meses com uma frase embaixo “saudade eterna”.

Algumas mortes eram recentes e outras muito antigas que não deixaram de ser lembradas. Os vasos de flores eram perfeitos, lindos e tinham um adesivo ou etiqueta da floricultura em que foi comprado. Você compra um vaso de flor caro, lindo e deixa lá. Não importa se vai chover ou ventar. O importante é comprar, rezar, talvez chorar e deixar lá.

O Dia dos Finados é mais uma data capitalista, tipo Dia dos Namorados. Igual você só resolve dar presentes, flores e bilhetinhos para a sua namorada no dia 12 de junho, você só dá flores e bilhetinhos para seu morto naquele dia exato. É mais um evento no qual você paga para vigiarem seu carro e não deixa de sujar a rua jogando lixo no chão.

É um dia onde você faz grandes investimentos em flores que poderiam ser bem cuidadas em sua casa, na varanda. Mas você prefere deixar em cima de um túmulo que você precisou lembrar onde fica e não se importa que a chuva, o vento ou o passar do tempo vai deixar aquelas lindas flores tão mortas quanto seu “ente querido”.

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3 comments so far

  1. wadim on

    Li até “o companheiro de todas as horas…”
    Depois disso tive um problema nas vistas.
    Embaçou tudo.

  2. segredo on

    eu adorei o primeiro comentário !

  3. Bia on

    Ah, que lindo! O papai lê o seu blog! hehehe. O meu pai num ia gostar de ler o meu não. Ele custou a acreditar que eu já tinha beijado na boca! hehehe.


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