Parecia lobisomem em lua cheia

Ela entrou, jogou a bolsa no sofá e olhou para a amiga:

– Estou naqueles dias.

Quando ela ficava naqueles dias, se trancava em casa ou ia conversar com a amiga. Nunca foi fácil passar por aquela fase. Parecia lobisomem em lua cheia, não tinha como evitar e o melhor a ser feito era se esconder para não prejudicar ninguém. Apesar de que a maior prejudicada era ela mesma.

– Eu vou ligar pra ele. O chocolate não resolveu meu problema.

É bem casada, formada em nutrição, mas nunca exerceu a profissão. O marido a sustenta. Eles são feitos um para o outro; namoraram durante uns 6 anos e resolveram se unir “para sempre”.

– Eu vou ligar, já tentei de tudo. Não agüento mais.

O marido viaja muito, sempre foi muito trabalhador e a deixa boa parte do tempo sozinha, tentando lidar com a vida de dona de casa. Gosta mesmo é de gastar dinheiro e ajudar as pessoas. Na vizinhança é conhecida como a “moça do bom coração”. Sempre ajudou todos que precisaram dela.

– Dessa vez tá forte, parece que acumulou. Vou ligar!

Pegou o celular e discou o número que sabia de cor. Ele atendeu ao telefone com uma voz seca, não muito educada. Sabia que ela precisava dele e também a desejava muito, mas segurava a vontade para desprezá-la um pouco, pois sabe que ela não suporta ser desprezada por ninguém, muito menos por ele.

Marcaram de se encontrar. Duas horas para se sentir culpada, tomar um banho caprichado e começar a se arrepender de suas atitudes. O arrependimento, o proibido e a culpa sempre a atraíram.

– Eu vou lá. Tenho duas horas para me arrumar e dois dias para esperar meu marido. Desculpa ter vindo te encher mais uma vez e obrigada por ter me escutado mais uma vez.

Saiu correndo, de salto, blusa e calça jeans. Logo sua roupa seria trocada por um vestido azul, rasteirinha e só. Nada mais, apenas perfume.

Duas horas depois se encontraram no motel de sempre. Como bom amante, fez do jeito que ela sempre gostou. Ele era o melhor e nunca cansou de ouvir isso dela.

Passaram o resto da noite juntos, como se fossem bons namorados. Riram muito, brincaram e se cansaram. Dormiram um pouco e chegou a hora de ir embora.

– Tchau, prometo não te ligar no mês que vem.

E cada um foi para um canto da cidade. Ela arrependida, prometendo não fazer nada no mês que vem e ele contende, sabendo que daqui algumas semanas ela liga de novo.

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