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Filho da puta

Foi assim, simples. Eles estavam lá, ele por cima ela por baixo. Estava meio escuro, apenas a luz da televisão e as vozes dos atores. Acabou fazendo calor e ele resolveu tirar a camiseta. Simples. Sendo sacudida no sofá duro que machucava suas costas ela tentava olhar aquela mancha perto do pescoço. O que era aquilo? Tão simples assim de ver.

“Não deve ser nada”. Ele não seria tão cara de pau de aparecer com uma marca de outra, como assim?

Mas ele continuava por cima. “Está meio escuro, ela não vai ver”.

Viviam num amor regado de “simples assim”, de “você é a melhor”, “igual a você nunca conheci”, e todas as frases que canalhas gostam de dizer para burras acreditarem.

Pobres burras. Deviam ter um estágio comigo para aprenderem a abusar deles e não se apegarem. Aprenderem a fingir romances e curtir a relação. Aprenderem a ter lanchinhos na geladeira, pra quando tiver fome, pegar lá e comer.

Sabe quando você começa a pensar em contas pra pagar, fofocas das amigas, problemas no trabalho e só fica lá de perna aberta? Pois é. Ela ficou lá de perna aberta olhando a mancha. O ódio começou a subir pelas pernas no lugar do orgasmo. Não foi legal. Queria pedir para acender a luz, mas naquela espelunca a luz da sala tinha queimado.

Parecia uma sujeira. “Éca”.

Parecia uma pereba. “Éca”.

Mas não era nada disso. Termina logo filho da puta. Ela ainda era legal de esperar ele terminar. Burra mesmo.

Ele terminou, ela deu um falso sorriso.

Ele foi ao banheiro e ela foi atrás. Lá tinha luz. Ela viu de perto. Era a marca de outra. “Biscate”.

“Eu não tive culpa, eu não queria isso. Eu fiquei bravo com a fulana”.

Ela ficou chateada. A outra ele leva no motel, cama macia, banheira e muito prazer ao ponto de deixar marcas.

Quando ele volta pra ela, o sofá é duro, a casa é suja, ou então é no carro mesmo. Agora vai ser obrigada a ver marcas.

Pulou em cima dele e unhou a mancha até escorrer sangue. Deu tapas, cuspiu, xingou. Chutou o saco e rancou o pinto fora. Bom, é isso que se passou na mente dela quando disse um simples “filho da puta” e foi chorar no quarto sozinha.

Malditas unhas

Eu não gostei daquelas unhas. De cara elas me incomodaram. Precisava ter as CINCO unhas grandes? Eu nunca fui de achar legal homens tocarem violão. Acho muito chato ter que ficar sentada olhando o cara tocar e, pior ainda, cantar (apenas meu avô consegue ser o máximo fazendo isso).

Odeio todas as vezes em que tenho que ficar dando falsos sorrisos enquanto alguém toca e/ou canta. Não gosto também de rodinhas de pessoas cantando e tocando. E a única explicação para aquelas unhas grandes era essa: ele toca violão. Mas gente, se um dia ele estiver com uma mulher, pintar um clima, mão naquilo, aquilo na mão, o que a mulher vai pensar quando sentir unhas de mulher na coisa dela, nas coxas e na barriga? Estranho, não? E eram as unhas da mão direita. Tudo bem, se ele for canhoto, usará a mão esquerda para essas coisas.

O jeito foi ficar reparando, esperando ele pegar uma caneta para ver qual mão ele usaria para escrever e, obviamente, dar uns amassos. Eu tenho a péssima mania de imaginar as pessoas transando. Sejam chefes, professores, avós, vizinhos, colegas de trabalho, você, seus pais, meus pais ou um infeliz qualquer que cruza comigo na rua.

Com ele não foi diferente, claro. Se fosse gordinho, magrelo, careca ou cabeludo, tudo bem. Mas não. Ele tinha as cinco unhas da mão direita compridas. Imaginei tudo. A moça chegando em casa arranhada, um olho sendo atingido por uma dessas unhas ou os cabelos dela embaraçando nas unhas e quebrando três delas, deixando pedaços debaixo do travesseiro.

Fiquei realmente agoniada e louca para saber se ele era canhoto ou destro, até que finalmente ele resolveu escrever. Destro. A mão que ele usa pra TUDO é a mão das unhas grandes. Eu já não estava muito boa com minha imaginação cheia de unhas, quando ele se aproximou e eu reparei: a unha do seu dedo que fica do lado do dedinho estava curta, quebrada. Ai meu Deus, e agora? Com certeza o pedaço dessa unha estava debaixo de algum travesseiro por aí! Malditas unhas!

O garoto que paga sorvetes

Chegava em casa, tirava os sapatos e guardava com cuidado na parte de sapatos do seu guarda roupas. Depois tirava a calça, dobrava e colocava em cima da cama; tirava as meias e as colocava por cima da calça. Em seguida a camisa, que também era cuidadosamente dobrada e colocada na cama. Ainda pelado, se olhava no espelho e murchava a barriga.

Pegava as roupas na cama e cuidadosamente colocava no cesto de rupas sujas.

Ligava o chuveiro e esperava uma ótima temperatura. Tinha champu e condicionador da mesma marca, sabonete sem cabelos e bucha nova.

Não tinha o costume de se masturbar, e muito menos de “bater punheta” no banho. E ainda assim demorava 2 horas no chuveiro. Lavava seu pipiu muito delicadamente e ficava observando seus detalhes. Depilava. Um dia não resistiu e depilou as axilas também. De repente o peito.

Sexo para ele era só no escurinho, com direito a um bom banho depois de gozar.

Extremamente carinhoso, pega as menininhas em casa e dá um selinho quando elas entram no carro. Depois leva pra tomar sorvete.

Que gracinha…

Um belo dia começou a namorar. Depois de três meses a namorada falou: “Poxa, você que deveria estar pedindo isso, mas vamos acender a luz? Vamos tomar um banho juntos?” Ele não quis. Ela acendeu a luz de surpresa. “Você se depila sempre?”

Depois foram tomar banho. “Já?”

Ela preferiu terminar. Não suportava ter um namorado com as axilas impecáveis.

Ele diz que o namoro acabou porque ela era apaixonada demais e ele ainda não queria nada sério.

Ela não diz nada, tem pena do garoto. Um dia ele ligou falando “Faz propaganda boa de mim, heim? Quero ser conhecido entre as mulheres”.

Ela perguntou: “O que você prefete que eu fale? Que você paga o sorvete ou que você gasta 5 minutos para tomar banho acompanhado e 2 horas quando está sozinho?”

Ele pensou um pouco: “Que mulher não gosta de sorvete, né?”

Cheiro

Existe um planeta, desconhecido por muitos, que é habitado por umas criaturas estranhas, chamadas CHEIRO. Isso mesmo, Cheiro.

Na Segunda Guerra Mundial, parte do planeta Terra foi invadida por essas criaturas e a imprensa preferiu manter segredo e nunca nada foi divulgado. Apenas aqueles que foram atacados ficaram sabendo.

Bom, mas notícias, fofocas, comentários, boatos, sempre esparramam, e nisso pude obter algumas informações.

São criaturas estranhamente feias, cabeludas, com sujeiras debaixo das unhas e a maioria tem um formato redondo. As que têm formatos compridos e finos, geralmente acabam ficando redondos com o passar dos anos.

O interessante dessas criaturas é que elas se comunicam através do cheiro (por isso o nome). Talvez fique confuso para vocês entenderem, mas o odor que elas exalam é tão forte, mas tão forte que emitem som.

Estudar a língua deles ninguém conseguiu, até porque praticamente ninguém tem conhecimento da existência desses seres. Mas, segundo algumas testemunhas que conviveram com eles na Segunda Guerra, tudo que eles falam, exalam, é no diminutivo. Como se fossem coisinhas fofinhas, florzinhas, anjinhos, etc.

Esses dias vi na Internet que há alguns desses Cheiros pela Terra novamente, e seus ataques causam problemas pulmonares e estresse.

Por favor, caso algum de vocês já tenham visto essas criaturas, ou se um dia trombarem com elas, me mande fotos e informações. Precisamos estudá-las e entender seus motivos de invasão no Planeta Terra!

Obrigada.

Tensão Pré Menstrual

A semana não está sendo das melhores. A tolerância está sendo das piores. Alguma coisa contra?

Eu não tenho roupa. Nenhuma. Eu engordei, nada serve. Minha barriga está enorme.

Ninguém gosta de mim. As vagabundas estão tomando conta do mundo. Elas querem todos os homens que já passaram pela minha vida, os que estão nela e os que vão passar.

Estou com ciúmes. Do que? De tudo. Não interessa, interessa? Não. Eu sinto ciúme do que eu quiser, a hora que eu quiser, do jeito que eu quiser. Quer discutir? Quer?

Como todos são chatos. E eu demorei 22 anos para notar como as pessoas são chatas.

Que horas eu vou morrer?

Está tudo sem sentido, tudo está triste. Solidão pura.

Loira falsa. Vai tomar… Virou amiguinha, foi? Lindo isso. Fica com sua mais nova amizade pra lá, fica. Bando de idiotas sem futuro que não trabalham e dizem estar cansados de ir todos os dias, só no período da tarde, repetindo, só no período da tarde, tentar fazer justiça na vida mesquinha das pessoas. Vou mostrar o que é trabalho! Merecem ficar juntos mesmo. Falsa. Besta.

Ficaram magoadinhos com o meu texto? Vão se juntar e fazer um contra mim? Curiosidade, por que ainda não fizeram?

Meu celular é uma desgraça, desliga sozinho o tempo inteiro.

Eu fui tirar esmalte vermelho da unha e a acetona acabou no meio do caminho. Ficou uma beleza. Fui trabalhar com as unhas mais lindas que já consegui ter. Tinha que acontecer isso?

Minha vó é um doce. Adotei um filhote de passarinho que encontrei na rua e ela me disse que ele ia morrer. Ele morreu no mesmo dia. E minha cadela que eu tanto amava, que nem é gata, foi quem o matou. Gatos é que matam passarinhos!

Que horas eu vou morrer?

Era só o que me faltava. Desenhar. Era só o que me faltava. Criar. Ave Maria.

Ela fede. Ela fala tudo no diminutivo. Ela me irrita. Eu mereço alguém como ela?

Eu perdi as marquinhas de biquíni que conquistei na praia. Voltei a ser branquela.

Ele tinha que morar lá, né? É isso mesmo que eu mereço. Todo mundo tem que ir embora e me largar. Todos são chatos mesmo.

Ninguém me liga, ninguém me manda mensagem.

Que saco esse negócio de ter que ser simpática.

“Afffeeeeeeeeee”.

Reporterzinho afeminado que num sabe escrever. Vai criar vergonha na cara antes de vir me pedir favores. Cansei de fazer favores pra você, entendeu?

Afinal de contas, que horas eu vou morrer?