A minha colega de quarto

Como era de se esperar, esse ano de 2009 é um ano de várias mudanças. Uma delas já começou: meus pais e meu irmão estão mudando de cidade e eu estou ficando com minha linda cadelinha chamada Kalla.

Como minha casa é muito grande e as despesas vão aumentar, eu tive que sair dela para a alugarem e ajudar no aluguel de um apartamento na nova cidade que eles vão morar.

Então eu me mudei. Me mudei para um ambiente diferente, uma casa onde moram pessoas mais velhas. Tirando eu, de 22 anos e a Kalla de 9, a mais nova da casa tem 69 anos.

A mais velha tem 93 e é a minha colega de quarto. É bem legal dividir um quarto com uma pessoa que tem a cabeça bem diferente da sua. E que ronca muito de noite. Mas isso não me incomoda. Seu nome é Abigail, sempre foi solteira, nunca quis casar e é mais religiosa que uma freira. Super católica e fiel à sua religião, Abigail, nos tempos antigos, antes de dar o dinheiro, sempre perguntava a religião daquele que pedia esmola pra ela.

Sua mãe ficou grávida 21 vezes, mas ela conviveu com apenas 16 irmãos. Hoje restam ela e mais uma irmã de 103 anos, que mora com o filho.

Apesar da idade, Abigail é bastante esperta, forte e inteligente. Seu principal lazer é fazer lindos sapatinhos de crochê para bebês e acompanhar a missa pela televisão. Mas ela também faz caminhadas pela manhã e de vez em quando viaja com uma sobrinha, que cuida dela como se fosse filha, pra várias cidades. Ela adora também passear de noite, conversar em uma mesa com pessoas e muitas vezes não quer ir embora pra casa.

Todas as noites, antes de dormir eu gosto de ler um livro. E ela gosta de rezar. Então ela sempre me fala que eu posso ficar lendo com a luz acesa porque ela reza até dormir e a claridade não atrapalha. Ela coloca sua camisola (e deve ser por ser gordinha, mas ela não é enrugada e tem a pele muito firme), arruma a cama deita. Fala pra eu dormir com Deus umas 5 vezes, pois sempre inventa um assunto antes de começar a rezar.

Esses dias ela disse que estava um pouco preocupada comigo, porque ela viu que eu não sei cozinhar, não lavo e não passo. Então, como é que eu vou cuidar do meu marido?

Outro dia perguntou quando é que eu vou me casar, porque eu tinha que terminar os estudos que eu já comecei. Eu respondi:

– Ihh, mas eu ainda vou demorar muito pra casar! Quero fazer muita coisa ainda.

– Mas quantos anos você tem, é tão nova assim?

– Estou com 22 anos!

– 22??? Eu pensei que tinha no máximo 18! – e murmurou baixinho virando o roso – tá velha já.

Conviver com pessoas mais velhas assim não é muito fácil, pois temos que falar várias vezes uma mesma coisa e falar quase gritando. Mas são pessoas cheias de histórias para contar, divertidas e que valorizam mais a vida do que os jovens, pois sabem que em breve não estarão mais aqui. O fato de não terem medo da morte e de encará-la com naturalidade é um grande ensinamento pra gente, que ás vezes temos medo de pequenas coisas como levar bronca de um chefe por termos perdido a hora ou não conseguir uma nova vida em outra cidade, como é o caso dos meus pais, ou não conseguir fechar um grande negócio na sua empresa ou ir à falência.
Bobeira nossa, pois vendo a Abigail eu digo pra não se preocuparem, que ainda temos muito o que viver. “E é só quando se chega na minha idade que olhamos para trás e conseguimos pensar que aqueles problemas não eram nada de mais”.

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1 comment so far

  1. ***isa*** on

    ihhh carolll….vai ficar pra titia!!…não sabe cozinhar, nem lavar e passar!!…kkkkkkkkkk….até parece né carol, hj em dia…tem q saber fazer outras coisas..hahhahahahaha….


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