A casa

A gente tenta se levantar dos tombos, limpar a bunda e seguir em frente. Mas nada mudou.

A gente se vai, a gente se deixa, mas a casa vai continuar lá, naquele mesmo lugar. A casa não foi só minha, não é mais minha e não será de ninguém mais.

Mas nada mudou.

Meu catinho ainda está lá, meu guarda roupas ainda está lá e nem deu tempo de aumentá-lo como eu queria. As escadas ainda estão lá e por baixo daquela tinta nas paredes ainda estão os desenhos que fiz e as primeiras palavras que escrevi.

A mesa ficou e foi nela onde cantei vários parabéns da minha vida e da vida dos que lá também moraram. A casa está lá no mesmo lugar, com a mesma aparência, com as mesmas escadas e a mesma piscina. Ela está com o mesmo ar de minha casa, mas agora a gente percebe que ela ficou triste.

O passeio é o mesmo e foi lá onde fiz vários brechós para ganhar um dinheirinho quando minha mãe falava pra eu me virar. As janelas são as mesmas, o cantinho escuro é o mesmo, os banheiros também não mudaram nada. Ainda há vestígios de algumas festas e de alguns amigos que por lá passaram e nadaram.

Ainda há um pouco dos inúmeros cachorrinhos que lá nasceram, viveram e morreram. Os muros esperam a gente voltar, mas tudo foi tão rápido que nem deu pra despedir e avisar que não vamos voltar.

O garotinho agora já deve alcançar no interfone e eu espero que ele volte lá, toque a campainha e saia correndo como fiz com várias casas e com aquela também.

Nada mudou. Espero que nada mude naquela casa.

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