Archive for janeiro \29\UTC 2010|Monthly archive page

Falando mal

Nervosa ao extremo, hoje falei tudo que me veio à cabeça e ainda havia muito a falar. É que essa história de ir guardando os detalhes neuroticamente não dá certo, um dia a gente explode mesmo.
Detalhista e ansiosa, fiz as palavras saírem da minha boca com raiva, prazer, alívio e satisfação de ter falado tudo aquilo que há tempos eu queria dizer. Sem ofensas, mas é a minha opinião, então falei mesmo. Da mesma maneira que ouço o que não quero, falo o que não querem ouvir. Igual a todos, creio eu. Porque um dia, mais cedo ou mais tarde, a pessoa caladinha dispara a falar, mesmo que isso custe perder pessoas especiais. Problema nosso, que falamos demais. A frase ‘perco o amigo, mas não perco a piada’ não existe por acaso.
Então depois do discurso de 50 minutos sem pausa para respirar direito, me resta uma vontade louca de fazer as coisas erradas, de não fazer nada certinho, de tomar infinitos sorvetes até vomitar e não querer ver sorvete nunca mais. Vontade de vingança!
Saiba que serei sempre a eterna Carol sem paciência para ouvir dramas de pessoas vítimas do universo e serei a Carol que gosta de planejar a vida na ponta do lápis (e existem pessoas muito piores que eu). E saiba que sempre que EU julgar necessário, farei meu discurso de 50 minutos seguidos, goste ou não. E saiba que sempre que EU quiser, eu virei até meu blog para falar mal de quem EU quiser, inclusive de mim mesma.
Falo mal do ex namorado (se é que era namorado) songa-monga que prefere cerveja e vídeo game do que mulher, falo mal da amiga que virou integrante das reuniões vegetais em que se toma chá para limpar a alma, falo mal dos chefes, falo mal do colega te trabalho, falo mal dos professores, falo mal de você que sempre exige de mim, falo mal das minhas celulites, falo mal da Marílha Manoela que também fala mal de mim, falo mal de quem eu quiser, porque quem quiser, pode falar mal de mim, inclusive você. E para isso existem os comentários aqui do blog. Fique à vontade.

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Papo de copeira

Seus peitos se misturam com a barriga e sua altura não chega a 1.55. Seus cabelos são pretos, embaraçados, compridos e fogem fios arrebentados da toca que ela tem que usar quando entra na cozinha. Seu rosto é redondinho, sua boca pequena e cheia de dentes cinzas e pretos. Deve fumar. Sempre que dá, se encosta na pia cheia de louças sujas, tira o pé direito do chinelo gasto, o apóia na canela esquerda e toma uma xícara de café “o meu café é o mió que tem”.
“Meu marido tá fazendo feira pra uma vagabunda, nóis tá pra separá”. Conversa mais que uma maritaca. “Tô nem aí, aqui tem muito homem me quereno”. Mastiga o pão com a boca aberta. “Meu cabelo é lindo, eu sou nova, num tô pra ser jogada fora. Tô cheia de pobrema, pra que me preocupá com as vagabunda?” Limpa a manteiga que cai entre os peitos e lambe os dedos. “Depois que meu fi sofreu acidente eu cheguei na cara do meu marido e falei que se ele tivesse morrido num ia nem chegar perto do cachão”. Coça a canela esquerda com o dedão do outro pé, com as unhas cheias de micose. “Agora meu fi juntô com a namorada grávida. Ele arranjou pobrema, porque ela tá com 15 ano e ele com 20. Os casamento hoje em dia num tá durano nada, né não?”
Na hora de lavar a louça, encosta a barriga na pia, se apóia na perna direita enquanto fios arrebentados voam da toca. “Talvez ocê tem sorte. Já vi seu namorado te buscar aqui. Traição é coisa de sorte, talvez cê nasceu de sorte, sem pobrema de marido”. O zíper da bermuda vive aberto e a barriga vive molhada por causa da água da pia. “Eu num saio daqui sem arranjar um outro namorado, tem um aqui doidinho pra me abraçar, meu marido num sabe o que tá perdeno se envolvendo com essas vagabunda”.
Pega a vassoura e varre a sujeira pra fora. “Ontem fui no salão de beleza com os cabelo solto e a cabelerêra me perguntou se eu passei chapinha. Passo nada, é de dá inveja messssss”.
“Ai, menina, eu odeio sujêra, é por isso que insinu meus fi ser tudo hingiêninco”. E finaliza seu dia limpando café do chão com o pano de enxugar louças molhadas. Sem parar de falar.